A Rua Taquari sentia falta deles, aqueles quatro seres tão singulares que pela regência das estrelas Amizade e Amor, dividiam suas sortes.
Sentia falta da moça alta e magra, com alma de princesa e espírito matreiro, que leva a vida ao invés de deixar a vida lhe levar. Sentia falta dos seus insights que traziam comicidade à toda e qualquer situação, tornando a vida dos que a cercam mais leve.
Sentia falta do rapaz aventureiro que havia descoberto um amor transcendental em outro rapaz aventureiro e juntos, descobriram que a jornada da vida é breve, mas válida se você compartilha a sua gota de felicidade.
Sentia falta do rapaz doce, que mantinha sua alma gentil mesmo quando a vida lhe batia. E como ela bate forte nele. Mas, ele aguenta com coragem e gentileza. Sentia falta do seu riso solto e coração cheio de esperança.
Sentia falta da moça que vivia sob as expectativas do mundo a seu respeito, carregando um peso em seus ombros, tal qual Atlas, mas que com perseverança e um pouco de cinismo, ia fazendo as coisas do seu jeitinho. Sentia falta dos seus sonhos de menina.
Há tanto tempo eles não visitavam a Taquari, que esta sentia receio de lhes esquecer os traços, os tons de suas vozes, as nuances de suas risadas, os brilhos de seus olhos.
Mas, mesmo que nunca mais os visse, jamais os esqueceria por completo. Suas essências estavam irremediavelmente impregnadas naquela rua, em seu asfalto, nas paredes dos bares que a habitam. Porque é impossível esquecer alguém que é feito dos sonhos que alimenta e vive.

Meu mês de férias chegou, finalmente!!! Infelizmente está passando rápido, claro!!! Mas, eu tô tentando aproveitar e descansar bastante. Por isso aproveitei essa semana e viajei por uns dias e o destino escolhido foi Cananéia, no litoral sul de São Paulo. Um lugar perfeito para o que eu queria: descanso e sossego.


É um lugar, onde a gente vai pra apreciar a natureza e comer bem!!! A cidade fica próxima à Ilha do Cardoso, onde é possível ter acesso de barco ou lancha. Não pude ir por causa do mau tempo, confesso que fiquei um pouco receosa.
Sendo assim, apenas andei pela cidade e visitei o Museu Municipal, onde vemos uma coleção de armas portuguesas da época da colonização, artefatos indígenas locais e um impressionante tubarão embalsamado, capturado em Cananéia na década de 90. Tive que conter o grito, de verdade, quando virei o painel e de repente me vi olhando aquele monstro!!!

















Também visitei a Igreja Matriz, que está bem conservada e tem umas obras mostrando a Paixão de Cristo diferentes, feitas de gesso. Não sei dizer porque, mas eu tenho um certo fascínio por Igrejas, sempre as visito quando estou viajando. Acho que é por conta da sua importância histórica. 


Com relação à comida, fui a dois restaurantes diferentes. No primeiro, que fica bem próximo à orla marítima, com uma decoração simples, bem típica dos bares praianos, não gostei tanto da comida, pedi um executivo de frango, e o mesmo veio meio encharcado de óleo, mas estava bem temperado, assim como o feijão que estava muito bom. No segundo, que é um pouco mais sofisticado, com uma decoração rústica, em madeira, apreciei mais a comida, que estava muito bem preparada, pedi um filé mignon com legumes, e a carne estava no ponto, bem macia, e os legumes deliciosos. 


A pousada onde me hospedei era muito charmosa, com quartos individuais, como se fossem várias casinhas em uma rua, inclusive nos corredores haviam placas com nomes de ruas, e o atendimento foi muito bom, café da manhã simples, mas farto.








O que mais me impressionou nesse lugar, foi a simpatia dos moradores locais, onde eu ia as pessoas sorriam para mim e me cumprimentavam, como se eu fosse moradora da cidade, e foi a primeira vez que presenciei isso, o que me deixou super à vontade. Talvez, esse seja um bom motivo para retornar um dia.
<3
Ontem no Fantástico, passou uma reportagem falando sobre a Geração Y, a geração na qual me enquadro. É estranho ver tantos conceitos com relação à nossa juventude, como se tudo o que queremos fosse tão diferente das gerações anteriores. Religião: somos livres para escolher o que nos faz sentir melhor. Trabalho: há um leque imenso de oportunidades à nossa frente, não precisamos nos prender a uma única carreira, nem ficar na mesma empresa a vida inteira esperando a aposentadoria. Relacionamentos: eu que decido se vou casar, com quem e que tipo de relacionamento eu desejo. 
O sucesso da vida do jovem não se limita mais a apenas formar família e ter um emprego estável. Queremos mais, muito mais. Mais viagens, mais pessoas em nossa vida, mais itens que nos fazem sentir bem, mais poder sobre nossas escolhas.
Ao mesmo tempo, tudo isso vem com um grau de responsabilidade absurdo. Sim, diferente do que parece, a responsabilidade aumenta já que somos nós que tomamos nossas decisões. Por exemplo, uma das jovens entrevistadas pela equipe do Fantástico, é a responsável pela fonte de renda da família, composta pela mãe, avó e tia. Ela abriu mão de muitas coisas na vida dela para exercer esse papel. Linda atitude, palmas para ela, é o que todos pensam. Mas, ninguém para pra pensar se ela realmente teve escolha. Honestamente, eu acredito que não. Isso porque me encontro nessa posição também, sendo a provedora do meu lar e tendo outras pessoas dependentes de mim. Não estou me queixando, provavelmente se tivesse escolha, eu faria do mesmo jeito. A questão é que em muitos casos não há escolha. 
Ser da Geração Y tem suas vantagens claro, mas não é mar de rosas que a mídia mostra. Há muito mais em jogo do que apenas ter a liberdade de fazer nossas próprias escolhas...
Outro dia me lembrei de você. Do nada. Não foi saudade, juro. Só lembrei da época em que nossas vidas eram conectadas de alguma forma.
Lembrei do seu jeito tímido, dos talentos que você mantinha escondidos, porque não acreditava em si próprio, do jeito que você ficava quando pensava em assuntos sérios... Todas essas coisas e outras mais, passaram pela minha mente em uma fração de segundos.
Não sei porque pensar em você depois de todos esses anos. Te esquecer foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. Hoje, eu aceito que não era pra ser. Nós dois. Nunca foi pra ser.
Mas, imaginar uma vida com você ao meu lado era fácil. Parecia certo na época. Minha vida encaixava na sua e a sua encaixava na minha. Mas, claro que se fosse assim, nossa vida seria diferente hoje e você estaria comigo.
Acho que estou divagando sobre isso, porque estou sozinha há muito tempo, e às vezes bate uma vontade de ter alguém para compartilhar, somar, sentir. E acho que posso afirmar que você foi o grande amor da minha vida. Ao menos até agora. E é assustador pensar que talvez eu não seja capaz de sentir tudo aquilo de novo. Porque afinal, você está com outra pessoa, e acho que feliz (só posso supor, já que não nos vemos há tantos anos). Mas, eu estou aqui, sozinha. Nem feliz, nem infeliz, numa espécie de limbo, tentando sentir alguma coisa. Tentando viver alguma coisa. Tentando ser alguma coisa. 
Apesar de tudo, tenho muito a te agradecer, os momentos que me proporcionou foram lindos e de vez em quando eu os revisito na memória, só para lembrar que a vida pode ser boa, que ela pode ter um toque mágico. E que quando você se doa, nunca fica de mãos vazias.
Existe uma dor aqui dentro, que eu escondi no meu peito para poder seguir adiante, era o único jeito... Mas às vezes ela escapa e me derruba no chão, tirando o ar dos meus pulmões, confundindo minha mente e eu luto para respirar mais uma vez. Passado o choque inicial, eu corro em seu encalço e a prendo novamente. É o único jeito.
Cada pessoa lida de uma maneira diferente com a perda. Eu não consigo lidar, não ainda. Não estou ignorando, apenas não posso sentir, não posso permitir que seja liberado, porque eu sei que se isso acontecer, não haverá volta, estarei irremediavelmente despedaçada. No momento, com as escapadas da dor, eu estou trincada, mas ainda inteira. Se ela sair, ficarei quebrada e não sei se sou capaz de me reerguer depois disso. 
Como alguém se recupera de algo assim? Como alguém consegue fazer o que tem que fazer no dia a dia com esse sentimento dilacerando cada parte do seu ser? Como é possível respirar depois que parte da sua alma foi tirada de você?
Eu tenho medo de um dia descobrir as respostas a essas perguntas... Mas tenho um medo ainda maior de não encontrar essas respostas, de que elas não existam.


Olha só, você acordou, não é mesmo? Abriu seus olhos e conseguiu enxergar um belo sol, não é verdade? Levantou da cama e conseguiu andar, mexeu suas pernas e conseguiu mexer seus braços, deu bom dia a sua família e sentiu aquele cheiro de pão torrado logo cedo, arrumou suas coisas e conseguiu lembrar onde era sua escola/seu trabalho. Sorriu para o seu vizinho e ouviu aquela música que tanto ama. 
Agora pare!! Imagine se fosse tudo diferente. Imagine que você dormiu e ao acordar não conseguiu ouvir nada, ou que tentou enxergar e estava tudo preto, não, a luz não estava apagada, ou pior tentou levantar da cama e seu corpo não obedeceu, imagine que aquele seu vizinho hoje não receberia seu bom dia, e aquela música não seria tocada enquanto você ia até seu destino. Imagina se ao se levantar você não conseguisse sentir cheiro de nada ou talvez sua família não estivesse lá. 
Então agradeça, agradeça hoje enquanto você consegue ler esse texto, agradeça enquanto seus movimentos ainda estão aí. E mesmo se Deus te fez paradinha, agradeça pelo ar que você recebe Dele todos os dias. Simplesmente agradeça por apenas ter a oportunidade de acordar mais um dia. Ontem quando você foi dormir, Deus sentou ao lado de sua cama e em volta os anjos te protegiam, então você teve uma ótima noite de sono enquanto eles trabalhavam para mal algum tocar em você.

Pois é, agradeça pelo simples fato disso ter acontecido. Deus cuida de você até mesmo quando você não acredita mais Nele.
Fique na paz de Cristo e tenha um Bom dia
- RayaneTuretta

Trechos

*Deveras, gosto de fazer essas coisas. Pegar a vida e fazer com a vida outras tantas vidas, fazendo de conta que a vida é diferente. Penso que, com isso, até melhoramos um pouquinho a vida. Aprendemos a melhorar a vida. E até melhoramos um pouquinho cada um de nós*

José Arrabal
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